Agosto: o bago ganha cor e açúcar

Estamos no coração do verão e a vinha vive o seu momento mais generoso. Depois da floração da primavera, os cachos cresceram e entram agora na maturação — o "pintor", como se diz por cá, quando o bago muda de cor e começa a acumular açúcar.

São semanas de sol e de noites frescas. É essa diferença entre o dia quente e a noite fria, que o Minho oferece, que dá ao vinho verde os aromas e a acidez que o tornam tão fácil de levar à mesa. Passamos os dias a provar bagos, a medir, a esperar o ponto certo.

Falta pouco para o momento mais esperado do ano. Quando o açúcar e a acidez se equilibram, chega a vindima — e a quinta enche-se de gente e de cheiro a mosto.

A vinha em flor

Em maio, a vinha floresce. São flores discretas, quase invisíveis — mas é delas que nascem os cachos, e por isso são dos dias mais importantes e mais frágeis do ano.

Se o tempo ajudar, com dias amenos e sem chuva a mais, a floração corre bem e a videira "vinga": cada flor fecundada torna-se um bago. Uma trovoada fora de horas ou um vento frio podem, em poucas horas, levar parte da colheita. Nesta altura, olhamos para o céu com outra atenção.

O clima atlântico do Minho, fresco e húmido, é o que dá ao vinho verde a acidez viva e a leveza que o distinguem. Começa aqui, na flor, o carácter do vinho que só se prova um ano depois.

O vinho novo vai para a garrafa

Enquanto a vinha lá fora ainda dorme, na adega faz-se o passo final do ciclo anterior: o engarrafamento. O vinho verde da última vindima, estabilizado ao longo do inverno, está pronto para a garrafa.

O vinho verde é, por natureza, um vinho para beber jovem — fresco, aromático, a saber ao ano em que nasceu. Por isso não o deixamos envelhecer em madeira: engarrafamo-lo cedo, para chegar à mesa com toda a fruta e a vivacidade intactas.

Cada garrafa que enche é o fecho de um ano inteiro de trabalho, da poda de há doze meses até este momento. E, mal termina, já a vinha lá fora se prepara para recomeçar.

A poda: dar forma ao ano que há de vir

No silêncio do inverno, quando a vinha dorme e a seiva desceu até às raízes, começa o trabalho que decide a colheita seguinte: a poda. Percorremos as nossas vinhas em Gominhães vara a vara, a escolher que sarmentos ficam e quais se cortam.

Podar não é limpar — é escolher. Cada corte define quantos cachos a videira vai carregar e quanta força terá para os amadurecer. Numa quinta de vinho verde como a nossa, em solos graníticos, uma poda equilibrada é a diferença entre uma uva tensa e viva e uma uva cansada.

É um trabalho de mãos e de paciência, feito ao frio, muito antes de alguém pensar em vindima. Mas é aqui, em fevereiro, que o vinho do próximo outono começa a ser feito.

Venha ver de onde vem o vinho

Provas guiadas, alojamento entre vinhas e experiências na quinta. Respondemos geralmente em poucos minutos ou algumas horas e até um máximo de 24h.